Pausas para Reflexão

Álcool e Drogas

O que a família precisa saber: quando o comportamento é um pedido de ajuda

Mudanças de comportamento, impulsividade, isolamento, ansiedade ou até o uso abusivo de álcool e outras drogas costumam gerar medo e insegurança dentro das famílias. Muitos pais se perguntam: “Onde foi que erramos?” ou “Como posso ajudar meu filho?”

É comum acreditar que o problema está apenas no comportamento visível. Porém, por trás dele geralmente existe uma história marcada por sofrimento emocional, dificuldades familiares, traumas, baixa autoestima, transtornos como TDAH, ansiedade ou depressão e uma grande dificuldade para regular as próprias emoções.

Ao longo da minha experiência como psicóloga, percebo que nenhum comportamento surge do nada. Cada pessoa traz uma história que precisa ser compreendida antes de ser julgada.

Este espaço foi criado para ajudar famílias, pais, educadores e todos aqueles que convivem com pessoas em sofrimento psicológico. Meu objetivo é oferecer informação, acolhimento e reflexões baseadas na prática clínica, mostrando que compreender é sempre o primeiro passo para cuidar.

Acredito profundamente na capacidade de transformação do ser humano. Quando existe conhecimento, apoio adequado e um ambiente de acolhimento, novos caminhos podem ser construídos.

Caso Clínico 1 – Quando uma mãe decide cuidar de si para conseguir ajudar a filha

Nome fictício para preservar a identidade da família.

Maria procurou ajuda porque sua filha apresentava ideias suicidas e fazia uso abusivo de álcool e outras drogas. Ela chegou ao atendimento encaminhada por um amigo, dizendo que já não suportava mais a situação.

Logo no primeiro encontro, afirmou que a filha não aceitaria participar da psicoterapia nem de um grupo de apoio. Mesmo assim, ela estava disposta a fazer tudo o que fosse necessário para ajudá-la.

Com o passar do tempo, ficou evidente que o sofrimento não atingia apenas a filha. Maria também carregava uma história marcada por violência, abandono e perdas.

Durante a gravidez, sofreu agressões do marido, que dizia não desejar a criança. Posteriormente foi abandonada e criou a filha sozinha. Trabalhando o dia inteiro, enfrentava constantes conflitos em casa. Quando descobriu o uso de drogas pela filha, reagiu muitas vezes com desespero, punições e agressividade, acreditando que essa seria a única forma de controlar a situação.

Sentindo-se sem saída, buscou ajuda espiritual, ingressou em um grupo de apoio e iniciou a psicoterapia.

Foi nesse processo que Maria percebeu algo importante: para cuidar da filha, primeiro precisava cuidar de si mesma.

Ao longo de aproximadamente quatro anos de acompanhamento, trabalhou suas próprias dores, fortaleceu sua autoestima, desenvolveu novas formas de lidar com os conflitos e passou a compreender melhor a história da filha.

A transformação não aconteceu da noite para o dia. Foi construída passo a passo, com persistência, acolhimento e acompanhamento profissional.

 

O que esse caso nos ensina?

Quando existe sofrimento emocional, não é apenas uma pessoa que adoece. Toda a família é impactada.

Em muitos casos, o comportamento considerado “difícil” é apenas a forma encontrada pela pessoa para expressar dores que ela ainda não consegue colocar em palavras.

Isso não significa que a família seja culpada, mas mostra que ela pode fazer parte da solução.

Buscar informação, compreender transtornos como TDAH, ansiedade e depressão, aprender sobre regulação emocional e contar com apoio psicológico pode transformar a maneira como pais e filhos enfrentam os desafios.

 

A família também precisa de cuidado

Muitos familiares chegam ao consultório acreditando que somente o filho precisa de ajuda. Entretanto, durante o processo terapêutico, percebem que também carregam medos, culpas, traumas e padrões de relacionamento que merecem atenção.

Cuidar da família não significa procurar culpados. Significa construir um ambiente emocional mais seguro para todos.

 

Quando procurar ajuda?

Se você percebe mudanças importantes de comportamento em um adolescente ou adulto, isolamento, impulsividade, uso de álcool e outras drogas, crises de ansiedade, tristeza persistente ou dificuldades no relacionamento familiar, não espere que a situação se agrave.

Buscar ajuda psicológica precocemente pode fazer toda a diferença.

 

Compreender é o primeiro cuidado

Ao longo deste blog, compartilho informações sobre saúde mental, TDAH, ansiedade, regulação emocional, adolescência, relações familiares e prevenção ao uso de álcool e outras drogas.

Acredito que a informação, aliada ao acolhimento, pode abrir caminhos para a transformação.

Porque, antes de qualquer diagnóstico, existe uma pessoa que precisa ser compreendida. 

Lurdinha Batista 

Psicóloga Clínica 

“Atendimento presencial em Santo Antônio do Monte – MG e sessões online para todo o Brasil e exterior.”

Copyright © 2026 Lurdinha Batista. Todos os direitos reservados.