Uma reflexão sobre traumas e a música do Frei Gilson
O Grito do Cansaço e a Coragem de Ser Levantado
Muitas pessoas cantam “Eu Te Levantarei”, do Frei Gilson, sem perceber a profundidade dessas palavras. Mais do que uma melodia suave, essa composição oferece um diagnóstico real da alma: estamos exaustos. Este texto convida você a refletir sobre o que acontece quando entoamos essa frase, mas impedimos que ela alcance nossas feridas emocionais.
A Necessidade de Reconhecer a Queda
Para que alguém levante você, primeiro você precisa admitir que caiu. No entanto, o cansaço profundo muitas vezes silencia nossa percepção. Operamos no modo automático e perdemos a conexão com nossas próprias necessidades. Nesse estado, surge uma dúvida dolorosa: “Será que Deus e as pessoas me amam pelo que sou ou apenas pelo que eu faço?”. Se você vive essa angústia, saiba que o seu grito de cansaço é legítimo.
A Autossuficiência como uma Armadura Pesada
O trauma ensina que o mundo oferece perigos. Por isso, criamos a ilusão de que precisamos resolver tudo sozinhas para sobreviver. Essa autossuficiência funciona como uma armadura: ela protege, mas também isola.
Muitas vezes, buscamos refúgio em grupos de amigas, na escola ou na igreja. Nesses espaços, compartilhamos risadas e escolhas superficiais, mas escondemos nossa dor real para não “quebrar o clima” ou parecer um fardo. Vivemos, então, uma solidão acompanhada, onde ninguém conhece nosso verdadeiro estado.
Do Modo Sobrevivência ao Modo Vida
A psicologia e a espiritualidade caminham juntas para mostrar que você não precisa apenas sobreviver. Existe um novo ciclo disponível: o “modo vida”. Ressignificar a autossuficiência significa entender que a proteção do passado hoje impede o seu crescimento.
Quando você decide “abrir a guarda” e buscar ajuda, você não demonstra fraqueza. Pelo contrário, você exerce a coragem de ser vulnerável. A terapia e a fé ajudam a retirar esse peso excessivo dos ombros, permitindo que você finalmente sinta o amparo que tanto busca.
O Convite para Soltar o Peso
Não apenas cante sobre ser levantado; permita-se estar no colo. Ressignificar sua jornada exige soltar o peso do mundo que você insiste em carregar sozinha. A ajuda profissional e o cuidado divino são as mãos estendidas que você ignorou enquanto tentava ser forte o tempo todo.
Saia da solidão acompanhada.
Abandone a armadura que já não serve mais. Quando você para de carregar tudo sozinha, percebe que o braço que sustenta sua vida sempre esteve por perto. Aceite o recomeço e descubra como é ser amada, exatamente como você está: cansada, mas pronta para ser cuidada.
Que tal hoje, em vez de apenas cantar, você decidir soltar o que pesa e aceitar ser amada na sua fraqueza?
Grande abraço,
Lurdinha Batista
Vamos levantar ?